1990 MANAUS: OS ANJOS MALDITOS
Baseado em fatos e memórias da cidade
No início da década de 1990, o calor de Manaus não era apenas temperatura: era uma presença espessa, que grudava na pele, pesava nos ombros e parecia guardar todos os segredos da floresta que cercava a cidade. Naqueles anos de crescimento rápido e mudanças bruscas, a Avenida André Araújo se tornou a linha invisível que separava dois mundos: de um lado, o prédio imponente da SEFAZ‑AM, com seus muros altos, portões de ferro e vigilância que não descansava; do outro, bastava atravessar a famosa rotatória da Bola do Aleixo para entrar em outro universo — o bairro Nossa Senhora das Graças, com suas ruas estreitas, vielas sem saída, casas de madeira e alvenaria simples, onde a luz pública quase nunca chegava e o silêncio escondia muito mais do que revelava.
Foi exatamente nessa faixa de terra, na fronteira entre a ordem oficial e a lei da rua, que surgiu o grupo que ficou marcado como o mais temido da zona sul: Os Anjos Malditos. Eram mais de vinte integrantes fixos, que chegavam a trinta quando se juntavam a parceiros de outros pontos da cidade — homens e meninos endurecidos pela vida, que aprenderam cedo que a sobrevivência tem suas próprias regras. Duros, frios, acostumados a ver e a dar sangue, eles se tornaram uma lenda em poucos meses: uns os viam como ameaça, outros como o único grupo
| Número de páginas | 49 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Espiral |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Portugués |
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