Este livro nasce de uma experiência, não de uma doutrina. Não pretendo fundar
religião alguma, nem substituir as que existem. Meu propósito é mais modesto e,
talvez por isso, mais urgente: oferecer uma chave racional para compreender o
que, em última instância, somos.
O método aqui empregado é tripartite. Primeiro, a experiência pessoal — fatos
vividos que moldaram minha investigação. Segundo, a razão — inferências lógicas
dessas experiências, articuladas com o conhecimento filosófico acumulado pela
humanidade. Terceiro, a ciência — dados observacionais e experimentais que,
longe de contradizer a hipótese central, a sustentam quando lidos sem preconceito
metodológico.
É preciso, porém, uma advertência epistemológica desde o início. Quando relato
meus três acontecimentos pessoais — a voz que me alertou sobre a camionete, a
figura de fumaça que me inundou de compreensão, o sonho do ancião com mapas —
não estou oferecendo "prova científica" no sentido popperiano do termo. Ciência
exige reprodutibilidade intersubjetiva e falsificabilidade; uma experiência
individual, por mais intensa que seja, não pode ser replicada em laboratório.
O que ofereço são "fatos empíricos pessoais" — vividos com a certeza de quem
toca fogo, mas intransferíveis como crença.
Ao leitor cético, peço não fé, mas atenção. Ouça estes relatos como se ouve
o testemunho de um viajante de volta de terra inexplorada. Não precisa aceitar
minha interpretação; apenas considere que, se a consciência pode modificar o
coração (como documentam os estudos com iogues), então a consciência não é
mero epifenômeno cerebral — é força causal em si mesma. E se é força causal,
pode ser também princípio primeiro.
O Deísmo aqui proposto é uma variante do *Deus otiosus* latino — o deus que
cria sem governar por decreto. Mas há uma nuance crucial: este Deus, embora
não intervenha nas leis da natureza que estabeleceu, comunica-se ativamente
com todo ser que cultive abertura de consciência. Como o sol não "intervém"
na semente, mas a ilumina; como a rádio não "intervém" no receptor, mas emite
sempre. Cabe a cada um estar sintonizado.
A estrutura do livro segue este caminho: primeiro, os limites que a própria
ciência admite; depois, uma cosmologia coerente com esses limites; em seguida,
a metafísica da Consciência Absoluta; finalmente, as evidências empíricas —
das plantas aos iogues, dos sonhos às visões — que sustentam a hipótese de
que somos, cada um, uma partícula do Divino em viagem amnésica.
Se ao final desta leitura você não concordar com minhas conclusões, mas sentir
que a pergunta vale mais que a resposta, terei cumprido meu propósito.
José Pedro Cariboni Moreno
Rio de Janeiro, 2026
| ISBN | 978-85-540442-1-3 |
| Número de páginas | 92 |
| Edición | 2 (2024) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Folleto |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Portugués |
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