Noaldo Sousa Silva

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Sobre el autor

Raízes que Sustentam
Meu amigo, companheiro… agora vou lhe contar.
Nem toda história começa com facilidade. Algumas começam com coragem — daquelas silenciosas, que não fazem barulho, mas mudam destinos inteiros.
Eu nasci na Paraíba. Terra simples, de gente forte. Mas a vida, às vezes, chama para mais longe. E foi assim que deixamos nossa terrinha, carregando na bagagem não riquezas, mas esperança.
Painho foi primeiro.Saiu sozinho, enfrentando o desconhecido, em busca de um trabalho, de um chão, de um começo. Não foi fácil — nunca é —, mas ele conseguiu. Tornou-se frentista em um posto de gasolina. E ali, entre bombas de combustível e dias longos, começou a construir o que viria a ser o alicerce da nossa história.
Depois veio mainha. Veio com três filhos — eu entre eles — e com ela trouxe o que nenhuma dificuldade consegue carregar: o amor de mãe. A viagem durou três dias. Três dias de estrada, de cansaço, de incertezas… mas também de fé. E então nos Reen- contramos.
Família reunida não é apenas presença — é força. E foi com essa força que começamos nossa vida no Rio de Janeiro.
Nossa primeira casa era de madeira, simples, em Nova Iguaçu. Ali não havia luxo, mas havia algo maior: união.
Com o tempo, vieram mais duas irmãs. E a vida seguiu seu curso, entre mudanças, casas alugadas e dias que ensinavam mais do que qualquer escola.
Painho nunca deixou faltar o essencial. E o essencial, eu aprendi, não é só comida na mesa — é dignidade, é presença, é esforço.
Mainha, mesmo com pouco estudo, nos ensinava muito. Porque ensinar não é só saber ler livros — é saber ler a vida. Crescemos assim: entre dificuldades e aprendizados, entre limitações e amor.
Lembro das músicas de Roberto Carlos tocando na casa. Lembro da televisão de tubo, do toca-discos de vinil, do piso vermelho que mainha cuidava como quem cuida de um tesouro. E talvez fosse mesmo. Porque felicidade, eu aprendi, não mora no luxo — mora no cuidado.
Até que um dia, mainha decidiu: não queria mais viver de aluguel.
E ali começou mais um capítulo de luta.
Compraram um terreno em um morro. E ali, com as próprias mãos e muito sacrifício, levantaram um pequeno lar. Simples. Frágil até, aos olhos de quem vê de fora. Mas forte como tudo aquilo que é construído com amor. Quando chovia, o medo vinha junto. Quando faltava água, vinha o esforço. Subir o morro, carregar latões… todos os dias.
A vida não era fácil.
Mas a vida também não era vazia.
Porque havia propósito.
Havia família.
Havia Deus.
Fomos crescendo. Brincando, estudando, aprendendo — principalmente aprendendo. Aprendendo que o pouco, quando compartilhado, se torna suficiente. Aprendendo que o trabalho dignifica. Aprendendo que o amor sustenta.
E assim, pouco a pouco, a casa foi se transformando. E nós também.
Todos nós, os cinco filhos, seguimos nossos caminhos. Construímos nossas famílias, nossas histórias. E mesmo independentes, nunca deixamos de ser parte do mesmo alicerce. Porque quem aprende o valor da raiz… nunca se perde do caminho.
A fé sempre esteve presente.
Mainha encontrou Jesus. Depois, painho também. E nós fomos levados junto — não apenas à igreja, mas a um modo de viver.
Cultos, orações, Escola Dominical… não eram apenas rotinas. Eram sementes.
E sementes, quando bem plantadas, florescem na vida inteira.
Cresci aprendendo a caminhar com minhas próprias pernas, mas nunca sozinho.
Painho nos ensinou o valor do trabalho. Levava a gente para ajudá-lo, para aprender, para conquistar o próprio dinheiro. E ali, ainda menino, entendi algo que levo até hoje: nada tem mais valor do que aquilo que é conquistado com esforço.
A vida seguiu seu curso.
Vieram sonhos, escolhas, caminhos.
Um deles me levou à Marinha. Um caminho que começou quase por acaso, mas que se tornou parte da minha história. Estudei, me dediquei, orei… e consegui. E assim, entre mares e responsabilidades, fui construindo mais um capítulo da minha vida. Mas a vida não é feita só de conquistas. Ela também é feita de encontros, desencontros… e recomeços.
Amei. Errei. Recomecei.
E foi em um novo recomeço que encontrei um amor que permanece até hoje.
Hoje, já mais maduro, olho para minha vida e vejo que Deus foi generoso comigo. Tenho dois filhos — um menino e uma menina — meus “Anjos Azuis”. Presentes que a vida me deu, e que carrego com amor, responsabilidade e esperança.
Quero que eles aprendam o que eu aprendi: a viver com dignidade, a valorizar o que realmente importa, a caminhar com fé.
Não enriqueci em bens. Mas enriqueci naquilo que realmente sustenta a vida.
Tenho minha família. Tenho minha casa. Tenho o suficiente. Tenho paz.
E tenho algo que o tempo não pode levar: gratidão.
Vi o mundo mudar. Vi a tecnologia avançar. Vi o homem ir além do que antes parecia impossível. Mas também vi que, apesar de tudo isso… o que realmente sustenta o ser humano continua sendo simples: fé, família e amor.
Sobrevivi a momentos difíceis. Situações que poderiam ter me derrubado. Mas Deus, em sua misericórdia, me sustentou. E ainda sustenta.
Hoje sigo aqui.
Sem pressa. Sem alarde.
Apenas vivendo… e escrevendo.
Porque contar a própria história não é sobre reviver o passado — é sobre entender o caminho. E eu entendi o meu.
Continuo em Nova Iguaçu. Continuo sendo quem aprendi a ser. Um homem de fé, que busca andar no caminho que seus pais ensinaram e que escolheu seguir a Cristo.
E assim quero viver.
Com simplicidade.
Com verdade.
Com gratidão.
Até o meu último suspiro nesta terra.

Autor: Noaldo de Sousa Silva
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