O Brasil não entrou em colapso de uma só vez. Nenhuma democracia desaba subitamente sem antes atravessar um longo processo de desgaste invisível. As rupturas mais profundas da história geralmente começam silenciosamente, espalhando-se pelas conversas cotidianas, pelas frustrações acumuladas, pelo medo coletivo e pela lenta erosão da confiança entre os próprios cidadãos.
Foi exatamente isso que aconteceu com o Brasil.
Durante anos, o país acumulou feridas que jamais chegaram a cicatrizar completamente. A corrupção sistêmica destruiu parte importante da credibilidade da política nacional. Escândalos sucessivos corroeram a confiança pública nas instituições. A desigualdade permaneceu brutal. A violência urbana transformou o medo em experiência cotidiana. Milhões de brasileiros passaram lentamente a enxergar o Estado não como estrutura de proteção coletiva, mas como máquina distante, ineficiente e frequentemente corrompida.
Ao mesmo tempo, uma nova força alterava silenciosamente a própria maneira como as pessoas compreendiam a realidade: as redes sociais.
O Brasil tornou-se um dos países mais conectados emocionalmente da era digital. A política deixou progressivamente os espaços tradicionais do debate público e invadiu os celulares, os grupos familiares, as igrejas, os ambientes de trabalho e os almoços de domingo. O país acordava e dormia dentro da política.
Nos grupos de WhatsApp, familiares discutiam diariamente sobre corrupção, comunismo, violência e eleições. Amizades antiga
| ISBN | 9786502097809 |
| Número de páginas | 343 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Portugués |
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