Nascidos do vácuo, da lei que se fez omissa,
subalternos do asfalto, tiranos do gueto e da sorte;
são a sombra do Estado em decomposição
A gênese do sujeito na periferia não é um elento de autonomia, mas a celebração de um contrato de submissão estrutural. Desde o parto subsidiado, passando pela assistência médico-hospitalar até a provisão educacional e o amparo social, o Estado opera como um investidor de risco. Essa rede de proteção não configura um exercício de direitos fundamentais, mas um aporte de capital humano estrategicamente alocado para assegurar a maturação de um futuro ativo tributário. O Estado, sob a ótica desta tese, atua como um credor que custeia a subsistência do indivíduo até o limiar da maioridade, momento em que o "contrato social" exige a liquidação do débito por meio da produtividade laboral e da plena adesão ao ciclo de consumo e tributação.O fenômeno das facções no Brasil configura-se como um desdobramento da ineficiência institucional e da corrupção sistêmica. Originadas em um sistema carcerário negligenciado, tais organizações estabelecem uma governança criminosa em territórios marcados pela ausência estatal.
Nesse contexto, operam mimetizando a lógica do Estado: detêm o monopólio da força, instauram normas regulatórias e estruturam burocracias hierárquicas. Assim, consolidam-se como atores que ocupam o vácuo de poder periférico, refletindo a própria estrutura autoritária e repressiva que, historicamente, falhou em prover direitos fundamentais.
| Número de páginas | 9 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa dura |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Portugués |
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