TRAVESSIAS DO AṢẸ́

Historicidade e Epistemologias Negras no Movimento Brasileiro de Mulheres Transexuais e Travestis

Por Fernanda de Moraes

Código del libro: 954908

Categorías

Espiritualidad, Discriminación Y Relaciones Raciales, Antropología, Educación, Ciencias Sociales, Ciencias de la Religión

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Sinopsis

TRAVESSIAS DO AṢẸ́: Historicidade e Epistemologias Negras no Movimento Brasileiro de Mulheres Transexuais e Travestis é um livro-corpo, um livro-luta e um livro-memória. Suas páginas atravessam tempos, territórios e existências para afirmar que as mulheres transexuais e travestis negras sempre estiveram vivas, organizadas e produzindo conhecimento, mesmo quando o mundo insistiu em negá-las.

A obra percorre as travessias do movimento brasileiro de travestis e transexuais a partir do chão da experiência, da ancestralidade negra e do aṣẹ́ como força vital, política e espiritual. Em diálogo com as epistemologias negras, o livro revela como o racismo, o colonialismo e a cisnormatividade tentaram silenciar corpos dissidentes, mas também como esses mesmos corpos criaram estratégias de resistência, aquilombamento e reinvenção da vida.

Aqui, o Candomblé e as tradições de matriz africana e afro-brasileira emergem como territórios de pertencimento, cuidado e poder, onde identidades femininas transexuais e travestis rompem com a lógica da exclusão e afirmam outras formas de existir, amar, lutar e governar a si mesmas. TRAVESSIAS DO AṢẸ́ é um chamado à memória, à insurgência e à justiça social — um livro que não apenas conta histórias, mas convoca à transformação radical do presente e do futuro.

Características

Número de páginas 289
Edición 1 (2026)
Formato A5 (148x210)
Acabado Tapa blanda (con solapas)
Coloración Blanco y negro
Tipo de papel Uncoated offset 75g
Idioma Portugués

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Fernanda de Moraes

Fernanda de Moraes ou Iyá Fernanda ty Ọyá/Ṣángọ̀ é uma mulher transexual, negra, transfeminista, Iyálọríṣá de Candomblé da Nação Ketu, com formação acadêmica em Serviço Social pela UNESP de Franca-SP e Pós-Graduada em Direitos Humanos, Gênero e Sexualidade pela UERJ.

Iniciada (Ìbẹ̀rẹ̀) em Manaus-AM, no Ilè Aṣé Ọpọ Mẹsan Ọrún, Templo de Candomblé Terreiro de Santa Bárbara - Aṣẹ́ Seringal Mirim, Ọmọbìnrin (filha) do Ilẹ̀ Aṣẹ́ Sesú Toyan, do Babálọríṣà Gilmar Pereira ty Iyèmọjá, neta de aṣẹ́ do Babálọríṣà Ribamar ty Ayrá, bisneta de aṣẹ́ do Babálọríṣà Lídio Mascarenhas ty Ọṣọgiyàn (in memorian), traz em sua ancestralidade afro-religiosa uma linhagem que remonta ao Ilè Aṣẹ́ Ọpọ Afonjá, afirmando o Candomblé como matriz civilizatória, epistemológica e ética. Investida no sacerdócio como Iyálọríṣá em 2010, Iyá Fernanda exerce o cuidado, a liderança e a palavra como fundamentos políticos do aṣẹ́, compreendendo o terreiro como espaço de aquilombamento e produção de futuro.

Sua formação acadêmica em Teologia, Serviço Social e Direitos Humanos dialoga diretamente com sua vivência enquanto mulher transexual negra em um país estruturado pela colonialidade, pelo racismo e pela transfobia. Ao migrar para São Paulo nos anos 1990, teve sua trajetória interrompida pela negação sistemática de direitos, pela ausência de políticas públicas e pela violência institucional contra travestis e mulheres transexuais. A prostituição compulsória, a perseguição policial e a experiência da morte cotidiana marcaram sua consciência crítica e consolidaram sua escolha pela militância organizada.

A partir dessa vivência, Iyá Fernanda constrói uma atuação política ancorada na coletividade, sendo protagonista na articulação de políticas públicas, na organização de eventos históricos e na consolidação do movimento social de mulheres transexuais e travestis no Brasil. Atuou na diretoria executiva da ANTRA entre 2016 e 2024 e esteve à frente de marcos como o SETRANS e o ENTLAIDS, reafirmando a centralidade da vida, da saúde e da dignidade de sua população.

Atualmente, está como Presidenta e Coordenadora Nacional da CONATT – Conexão Nacional de Mulheres Transexuais e Travestis de Axé – e Presidenta do Instituto APHRODITTE-SP, reafirmando o compromisso com os direitos humanos, civis e sociais, especialmente das mulheres transexuais e travestis, negras e de aṣé.

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