Memórias de um Suicida Imortal
Cortei os laços com a carne e o tempo,
Mas fui negado ao esquecimento.
A morte, que julguei refúgio lento,
Fez-se prisão, eterno sofrimento.
Vivo após a morte, sem alento,
Num limbo entre o nada e o tormento.
A lâmina não cala a alma errante,
Nem o abismo afoga a dor que é mente.
Sou verbo sem sujeito, caminhar constante,
Condenado a lembrar eternamente
Do instante em que, por ser pensante,
Assinei minha cruz consciente.
Sou sombra que caminha entre o real,
Refém daquilo que quis cessar.
E no silêncio do pós-final,
A existência insiste em sussurrar: Nem o suicida é imortal,
Mas sua dor pode eternizar.
Boa leitura
| Seitenanzahl | 42 |
| Ausgabe | 1 (2026) |
| Sprache | Portugiesisch |
Haben Sie Beschwerden über dieses Buch? Sende eine Email an [email protected]
Klicken Sie auf Anmeldung und hinterlassen Sie Ihren Kommentar zum Buch.