O Contrato de Sangue
Nasce o rebento no úmido ventre da periferia, sob o teto de zinco e a promessa de um Estado que se faz presente apenas para cobrar a dívida futura. O Faraó, em seu trono de concreto e leis, tece o destino: oferece o berço no hospital público, o caderno na escola sucateada, o teto de programa social. Não por caridade, mas por investimento. Tu és um peão em seu tabuleiro. Se floresceres como o pagador de impostos, és servo útil. Se, na engrenagem enferrujada da exclusão, desviares o caminho, o Faraó não conhece a misericórdia: ele conhece apenas a ceifa e terar permissão dos Deuses para te sacrificar em nome dos que pegam seus impostos corretamente, seu sangue grosso escorrendo sobre o asfalto fino e esburacado e super faturado, serve como intimidação para a classe escravizada
O Estado te dá o ar e o leito,
Um código de barras tatuado no peito.
Hospital, escola, fila e promessa,
Uma vida inteira que o sistema pressa.
Você é a semente, o solo é a laje,
O Faraó observa, cobra a margem.
Não é amor, é um contrato selado:
"Eu te dou a vida, tu me dás o seu suado
O necrotério é a prova final do sistema,
Onde o Faraó encerra o seu próprio problema.
Aqui jaz aquele que o Estado investiu,
E, por não ser útil, o Estado sumiu O necrotério é a prova final do sistema,
Onde o Faraó encerra o seu próprio problema.
Aqui jaz aquele que o Estado investiu,
E, por não ser útil, o Estado sumiu
| Número de páginas | 11 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Capa dura |
| Tipo de papel | Estucado Mate 90g |
| Idioma | Português |
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