Há tragédias que se inscrevem na paisagem. Outras, mais profundas, inscrevem-se nas pessoas.
Sobre a etnografia da tragédia: uma abordagem historiográfica aos impactos estruturais no Brasil contemporâneo, o leitor é movido por um território onde a história não se limita aos registros oficiais, mas pulsa nas vozes daqueles que vivem no índice. Entre as costas que cedem, rios que se transformam em lama e cidades que reaprendem a existir, esse romance controla uma travessia sensível entre memória, testemunho e reconstrução.
Personagens como Clara, Miguel, Helena e tantos outros — inspirados por histórias reais registradas pela imprensa brasileira — compõem um mosaico de experiências marcados pela perda, mas também pela insistência em narrar. Suas histórias revelam que, devido a uma catástrofe, ou que ela está quebrada, quase não há espaço físico, mas sim os vínculos, o tempo e as formas de habitar o mundo.
A interligação entre narrativa literária e reflexão historiográfica, a obra em si é uma obra singular sobre o Brasil contemporâneo: um país onde desastres não são eventos isolados, mas processos que expõem desigualdades estruturais e desafiam a própria ideologia da reconstrução. Isso não é apenas um romance sobre o que foi destruído. Pois, quando a terra desce e as águas mudam de curso, resta aqui o que insiste em sobreviver: a memória — aquele rio invisível que continua a correr dentro de nós.
| Seitenanzahl | 92 |
| Ausgabe | 1 (2026) |
| Format | A5 (148x210) |
| Einband | Hardcover |
| Farbe | Schwarz-Weiß |
| Papiertyp | Offset 90g |
| Sprache | Portugiesisch |
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