Em dezembro de 2010, o tecido social dessas nações atingiu o seu ponto de saturação. O que o mundo testemunhou a partir dali não foi um evento fortuito, mas a eclosão de uma indignação profundamente enraizada e acumulada por gerações. O fenômeno que a imprensa ocidental rapidamente batizou de Primavera Árabe — em uma alusão direta à Primavera dos Povos de 1488 e à Primavera de Praga de 1968 — representou o maior levante popular de massa desde a queda do Muro de Berlim e o colapso do bloco soviético. O contágio revolucionário funcionou como um rastilho de pólvora: o que começou como um protesto econômico isolado em uma província esquecida da Tunísia transformou-se, em questão de semanas, em um incêndio transnacional que cruzou desertos, saltou fronteiras artificiais criadas pelo colonialismo europeu e abalou os palácios mais protegidos do Oriente Médio.
| Seitenanzahl | 79 |
| Ausgabe | 1 (2026) |
| Sprache | Portugiesisch |
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