Yakupuluka cresceu entre as paredes acolhedoras e austeras da casa religiosa no Benfica e da casa dos rapazes, para onde foi levado aos catorze anos após a perda precoce do seu pai. Na sanzala do Benfica, entre o cheiro denso da terra vermelha, o calor das tardes e as rotinas de oração e trabalho comunitário, descobre cedo que a solidão e o abandono não precisam de ser um abismo, mas sim um espaço de observação, superado pelo estudo, pela fé e pelo compromisso com o próximo.
Apesar das limitações do meio e de novas e devastadoras perdas — como o passamento súbito de sua mãe em plena Quinta-Feira Santa —, Yakupuluka alimenta um sonho persistente: dominar um saber prático e profissionalizar-se para mudar a realidade do seu entorno. A sua jornada até aos 40 anos não é linear — é marcada pela superação de barreiras sociais, pela dolorosa renúncia ao sacerdócio no seminário, pela busca de mentores espirituais e familiares (como o seu irmão Padre Katula, o seu irmão Kangue e o Mano Messele), e pela determinação em provar que a origem de um órfão não define o limite do seu impacto na sociedade.
| Seitenanzahl | 38 |
| Ausgabe | 1 (2026) |
| Sprache | Portugiesisch |
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