Belo Horizonte, 2002. Enquanto o mundo se reestruturava sob a sombra do 11 de setembro, nas ladeiras da Savassi os ônibus rangiam alheios ao caos. Uma juventude sonâmbula arrastava-se entre rituais vazios de festas com vodca barata e a opressão dos pré-vestibulares. Para Martha, contudo, o tempo havia congelado em um veredicto definitivo de três sílabas: Lu-í-sa.
Com uma ironia que mal disfarça uma ferida aberta, Martha narra sua sentença: dias milimetricamente idênticos. Sua rotina divide-se entre o tédio burocrático de um subemprego como menor aprendiz, aulas de física sem sentido e goles de conhaque em esquinas escuras com outros marginalizados. Desse exílio, ela observa os integrados — com suas "vidas de algodão" e sorrisos brancos — que proferem a condenação mais cruel: a de que ela “não mudou nada”.
Nesta atmosfera opressiva, o drama existencial confunde-se com a alienação urbana. Pelos olhos vigilantes de Martha, adentramos os corredores de uma culpa sem nome, onde as memórias queimam e o desejo pela ruína do mundo surge como única reação ao silêncio esmagador dos dias.
O texto é um inventário cru e melancólico sobre o peso da exclusão e a violência sutil de ter que continuar caminhando sob as ordens de uma lei desconhecida.
| Seitenanzahl | 207 |
| Ausgabe | 2 (2026) |
| Format | A5 (148x210) |
| Einband | Taschenbuch mit Klappen |
| Farbe | Schwarz-Weiß |
| Papiertyp | Ahuesado 80g |
| Sprache | Portugiesisch |
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