Há uma frase bíblica que atravessou séculos como advertência moral: não deis aos porcos as vossas pérolas.
Ensinaram-nos a lê-la como um chamado à discrição, ao cuidado de não desperdiçar o que é precioso diante de quem não sabe reconhecer valor. Mas existe uma segunda leitura, menos falada e talvez mais urgente para quem vive exausto de cuidar, de justificar, de compensar e de se explicar.
Essa leitura não fala de pérolas. Fala do que sobra depois que a pérola já foi dada, recusada, pisoteada e devolvida em forma de culpa. Fala do lixo emocional que ficou acumulado à sua porta, e que alguém, em algum momento da sua história, convenceu você de que era sua obrigação carregar.
Dar aos porcos o que pertence aos porcos não é um gesto de desprezo. É um gesto de justiça interna. É reconhecer que existe uma fronteira entre o que nasceu em você e o que foi depositado em você por outra pessoa, geralmente sem consentimento, geralmente na infância, geralmente por quem deveria protegê-lo e não protegeu.
A psicanálise tem um nome técnico para esse fenômeno de depósito: identificação projetiva.
Mas antes de qualquer nome técnico, existe uma experiência muito concreta e muito dolorosa, que é a de acordar todos os dias sentindo um peso que não tem origem clara, uma culpa que não corresponde a nenhum erro cometido, uma exaustão que não é proporcional ao esforço realizado.
| Number of Pages | 200 |
| Edition | 1 (2026) |
| Format | A5 (148x210) |
| Binding | Paperback with Flaps |
| Color | Black and White |
| Paper Type | Ahuesado 80g |
| Language | Portuguese |
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