Na célebre narrativa de Platão, o pastor Giges encontra um anel capaz de torná-lo invisível e sucumbe à tirania moral. No cativeiro doméstico governado por um predador narcisista, no entanto, a invisibilidade não é uma ferramenta de corrupção, mas a única couraça possível de sobrevivência.
Nesta obra que une relato autobiográfico, clínica filosófica e psicanálise dos mitos, a autora expõe a anatomia de sua própria alforria. Da infância resguardada sob o pé de seriguela e nas linhas anônimas do CVV à criação de personagens em romances torrenciais, a ficção funcionou como uma trincheira sagrada onde a palavra pôde existir sem o risco de ser incinerada. Ao dissecar o engenhoso "anel de doce" — a engrenagem que confisca a identidade do Filho de Ouro e escraviza o bando em servidão cega —, a narrativa traça o contraste definitivo entre a camuflagem tática de quem quer se salvar e a prisão voluntária de quem aceita a anestesia do cativeiro.
Costurando a travessia real no litoral paulista, o resgate da saúde do filho e o nascimento de uma nova comunidade com os arquétipos universais de Omolu, Psiquê, Narciso e Epimeteu, este livro marca o momento exato em que o anel é retirado do dedo. Um tratado corajoso sobre a transmutação da dor em autoridade moral, provando que o verdadeiro banquete da liberdade pertence àqueles que ousam assumir a autoria do próprio destino.
| ISBN | 978-65-266-8447-4 |
| Number of Pages | 78 |
| Edition | 1 (2026) |
| Format | A5 (148x210) |
| Binding | Paperback with Flaps |
| Color | Black and White |
| Paper Type | Offset 80g |
| Language | Portuguese |
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