Este livro não pretende resolver o enigma do tempo. Pretensão mais modesta o anima: examinar um aspecto particular, frequentemente negligenciado, da nossa relação com a temporalidade. Chamamos esse aspecto de continuidade de sentido. A expressão designa algo simples, mas de consequências vastas: a capacidade de integrar passado, presente e futuro numa unidade dotada de sentido; a experiência de que o tempo "faz sentido", de que há um fio — frequentemente invisível, mas real — que conecta o que fomos ao que somos e ao que podemos vir a ser. Essa capacidade é tão fundamental que normalmente não a percebemos. Ela é pressuposto silencioso de tudo o que fazemos: lembrar, planejar, prometer, narrar, compreender, agir. Quando ela funciona, não a vemos. Quando falha, tudo se fragmenta.
E ela está falhando. Essa é a intuição que originou este livro, e que o percorre do início ao fim. Algo se rompeu — ou está se rompendo — na relação contemporânea com o tempo. Os sintomas são múltiplos e familiares: fragmentação identitária, ansiedade generalizada, incapacidade de concentração, esgotamento crônico, radicalização política, amnésia cultural, dificuldade de projetar o futuro, sensação difusa de que "tudo é efêmero" e "nada permanece". Esses sintomas são frequentemente analisados separadamente, por especialistas de diferentes áreas. A hipótese deste livro é que eles têm raiz comum: a erosão da continuidade de sentido.
| ISBN | 978-65-266-6409-4 |
| Seitenanzahl | 195 |
| Ausgabe | 1 (2026) |
| Format | 16x23 (160x230) |
| Einband | Taschenbuch mit Klappen |
| Farbe | Schwarz-Weiß |
| Papiertyp | Estucado Mate 90g |
| Sprache | Portugiesisch |
Haben Sie Beschwerden über dieses Buch? Sende eine Email an [email protected]
Klicken Sie auf Anmeldung und hinterlassen Sie Ihren Kommentar zum Buch.