Berlim, setembro de 1923. A República de Weimar atravessa o pior ano de sua breve existência: o marco despenca em queda livre, famílias inteiras vendem seus pertences em mercados de bairro e a confiança social se corrói na mesma velocidade da moeda. Num parque do bairro de Steglitz, um homem de quarenta anos, tuberculoso, com menos de um ano de vida pela frente, encontra uma menina que chora a perda de sua boneca favorita. Em vez de consolá-la com a pressa habitual dos adultos, ele improvisa: a boneca não se perdeu, partiu em viagem, e prometeu escrever.
Durante as três semanas seguintes, todas as tardes, Franz Kafka retorna ao mesmo banco com uma carta redigida na noite anterior e assinada por Brígida, a boneca viajante. Fala de cidades distantes, de navios, de relógios, de encontros. Ao fim, traz uma boneca nova e uma última carta, que explica à criança, com delicadeza pedagógica notável, que as formas mudam sem que o afeto se perca.
O episódio é histórico, preservado pelo testemunho de Dora Diamant, companheira final do escritor, e transmitido por Max Brod, Marthe Robert, Klaus Wagenbach e Reiner Stach. As cartas, contudo, jamais foram encontradas: em 1933, a Gestapo confiscou do apartamento berlinense de Dora os manuscritos que ela guardava. Restou a memória, e o silêncio que Wagenbach percorreu durante anos, batendo em portas de Steglitz e publicando anúncios em jornais de bairro, sem nunca localizar a menina.
| ISBN | 9786502261255 |
| Seitenanzahl | 226 |
| Ausgabe | 1 (2026) |
| Format | A5 (148x210) |
| Einband | Taschenbuch mit Klappen |
| Farbe | Schwarz-Weiß |
| Papiertyp | Offset 90g |
| Sprache | Portugiesisch |
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