Abraxas: Uma Abstração

e outros absurdos literários

Por Damnus Vobiscum

Código do livro: 49388

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Psicologia, Filosofia / Religião, Filosofia

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Sinopse

Tenho escrito pouquíssimo nos últimos tempos, e deste pouco ainda menos contém alguma expressividade. Os assuntos se repetem, como pesadelos recorrentes, e então é só idéia fixa – e não há nada mais aborrecido que nossas idéias fixas. Mas condensei, acredito, meus persistentes pensamentos atuais nos textos que se seguem – de maneira que, apesar da perceptível repetição de certos temas, é possível através da leitura compreender o eixo perpétuo em torno do qual giram minhas obsessões. Trata-se de um caso perdido: na resolução do mesmo grandes mentes despenderam toda sua existência – e, o que é ainda pior, sem obter quaisquer resultados práticos.

Felizmente não sou nenhuma grande mente.

Características

Número de páginas 100
Edição 1 (2011)
Formato A5 (148x210)
Acabamento Brochura c/ orelha
Coloração Preto e branco
Tipo de papel Uncoated offset 75g
Idioma Português

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Damnus Vobiscum

Damnus Vobiscum: Um Perfil Psicológico

Com base nos empenhos de subversão linguística e nos temas recorrentes do escritor por trás do pseudônimo Damnus Vobiscum, podemos delinear os seguintes traços de sua personalidade projetada:

Niilismo e Ceticismo Crônico

A escolha de um nome que significa "o dano/condenação esteja convosco" sugere uma visão de mundo desencantada. Psicologicamente, isso aponta para um indivíduo que rejeita o otimismo convencional e as "bençãos" sociais, preferindo confrontar a crueza da existência e a finitude humana.

Anticonformismo e Desafio à Autoridade

Ao parodiar uma das saudações mais sagradas do catolicismo (Dominus Vobiscum), o autor demonstra um forte traço de rebeldia intelectual. Existe um prazer deliberado na transgressão e no uso da blasfêmia como ferramenta de choque para despertar o leitor de uma letargia moral ou religiosa.

Intelectualismo Ácido

O uso de um latim propositalmente "errado" (ou adaptado) para criar um trocadilho denota alguém que domina códigos culturais eruditos, mas decide deformá-los. Isso indica uma personalidade que utiliza o sarcasmo e a ironia como mecanismos de defesa ou de ataque crítico à sociedade.

Isolamento e Proteção (A Máscara do Pseudônimo)

O uso de um nome "infame" serve como uma barreira entre o autor e o público. Esse distanciamento sugere:

Desejo de Privacidade: Uma separação clara entre a vida civil e as opiniões expressas nos textos.

Liberdade de Expressão: O pseudônimo atua como um salvo-conduto para explorar temas sombrios, eróticos ou misantrópicos que poderiam ser censurados ou mal interpretados em sua identidade real.

Obsessão pela Ontologia e pelo "Dano"

Seus títulos reforçam um perfil reflexivo e investigativo. Ele não se contenta com a superfície; busca entender a essência das coisas, geralmente sob o prisma do sofrimento, da perda ou da decadência humana (o damnum).

Em resumo, a persona Damnus Vobiscum projeta a imagem de um observador marginal, culto e amargo, que vê na literatura um espaço de "exorcismo" das sombras humanas, devolvendo ao mundo não a paz, mas o reflexo da sua própria ruína.

* * *

A análise que aqui se apresentou da persona literária Damnus Vobiscum é perspicaz e profundamente fundamentada. Ela vai além da superfície do pseudônimo e conecta-o a uma constelação de traços psicológicos e estratégias literárias coerentes. Vamos expandir e refletir sobre os pontos delineados, acrescentando algumas camadas de interpretação.

O esboço captura a essência de uma persona construída com rigor quase teatral. Não se trata apenas de um escritor que escolhe um nome falso, mas de um personagem-autor cujo próprio nome é o primeiro ato de sua obra, uma tese condensada em duas palavras. Isso revela uma mentalidade que entende a literatura como performance filosófica.

Aprofundando os traços identificados:

Niilismo como Ferramenta de Escavação: O "damnum" (dano, perda, prejuízo) não é apenas um tema, mas a lente ontológica através da qual tudo é examinado. Essa persona não celebra o vazio de forma gratuita, mas o utiliza como um ácido para dissolver ilusões, hipocrisias e consolos baratos. É um ceticismo metodológico, uma forma de ascese negativa.

A Blasfêmia como Sagrado Invertido: A paródia de "Dominus Vobiscum" se destaca porque não é simplesmente uma negação. Ela cria um espelho obscuro do sagrado. Onde a saudação litúrgica oferece a graça e a presença de Deus, "Damnus Vobiscum" oferece a consciência do dano, da finitude e talvez de uma verdade mais crua. A blasfêmia, aqui, assume um caráter quase sacramental, um rito de desencantamento.

O Intelectualismo como Arma e Escudo: O domínio do código latino e sua corrupção deliberada são sintomas de uma relação ambivalente com a tradição. Há um reconhecimento de seu poder (ou não se brincaria com ela) e, simultaneamente, uma recusa em ser por ela assimilado. A ironia e o sarcasmo são, como facilmente se nota, mecanismos de defesa: mantêm o mundo e seus afetos potencialmente dolorosos a uma distância segura, mediada pelo intelecto.

A Máscara e a Liberdade da Autoria: Essa é uma das funções mais práticas e efetivas da persona. Ao criar uma entidade separada, "Damnus Vobiscum", o autor físico conquista um espaço hiper-realista de experimentação radical. Esse alter ego pode mergulhar nos abismos que a identidade social não pode. A máscara não esconde; ela libera. Permite que o autor explore, no território ficcional da própria assinatura, os extremos do pensamento e da emoção.

Um traço adicional que a análise sugere é a Vontade de Legado pela Infâmia. "Damnus Vobiscum" é um nome feito para ser lembrado, para chocar e grudar na memória. Indica um desejo, ainda que niilista, de marcar presença no mundo das ideias — mesmo que essa marca seja uma cicatriz, uma advertência ou um epitáfio irônico.

Em síntese, o que aqui se descreve com precisão é a arquitetura de uma persona literária total. Damnus Vobiscum não é um disfarce, mas uma identidade estética completa e um pacto ficcional com o leitor: quem se envolve com seus textos não busca consolo, mas confrontação; não espera por uma bênção, mas por um diagnóstico, por mais ácido que seja.

É a construção de um sábio amargo ou de um profeta do crepúsculo, cujo púlpito é a página e cujo sermão é uma anatomia implacável da condição humana. Uma figura que se posiciona junto de uma linhagem que vai do Eclesiastes até Cioran, onde o pessimismo não é um estado de fraqueza, mas uma forma de lucidez exigente e corrosiva.

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