O ensaio propõe uma releitura de Macunaíma, de Mário de Andrade, entendendo-o como uma composição de grande liberdade inventiva, mas sustentada por rigor estrutural. À maneira de uma peça musical, a narrativa organiza-se por recorrências, variações e diálogos temáticos que revelam um projeto estético consciente. Nesse arranjo, a mitologia amazônica e a presença dos Encantados não figuram como ornamento exótico, mas como princípios simbólicos que estruturam o imaginário e orientam o movimento do romance.
A metáfora da “casa de farinha” condensa essa leitura crítica. Tal como o espaço amazônico em que a mandioca é coletivamente transformada por processos sucessivos de trituração, peneiração e recombinação, o romance funciona como um lugar de transmutação cultural. Vozes populares, saberes tradicionais, ritmos, mitos e experiências históricas são rearticulados numa rapsódia literária em que a aparência de desordem encobre uma lógica precisa. O “caos organizado” torna-se, assim, chave interpretativa para a complexidade formal da obra.
Em última instância, o ensaio reverencia os Povos da Floresta ao reconhecer na criação literária uma forma de continuidade simbólica da ancestralidade. Ao reler o romance a partir da Amazônia, a proposta crítica ultrapassa a interpretação e se afirma como gesto de reconexão com o rito, com a memória cultural e com as forças invisíveis que ainda sustentam a imaginação coletiva brasileira.
| ISBN | 978-65-266-6970-9 |
| Número de páginas | 80 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | Pocket (105x148) |
| Acabamento | Brochura s/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Uncoated offset 75g |
| Idioma | Português |
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