Existe uma frase que, com pequenas variações, escuto no consultório há mais de duas décadas: eu tenho tudo, e ainda assim me sinto tão só.
Ela vem de pessoas com famílias estruturadas e pessoas que vivem sozinhas, de quem tem centenas de contatos salvos no celular e de quem mal atende chamadas, de adolescentes hiperconectados e de idosos que já perderam boa parte de seus vínculos. A solidão, ao contrário do que a intuição sugere, não é um problema de quantas pessoas existem ao redor.
É um problema de qualidade de presença, começando pela presença que cada um consegue sustentar consigo mesmo.
Este livro nasce de uma constatação clínica e também social: vivemos, coletivamente, a maior epidemia de solidão já documentada, num período histórico com mais recursos de conexão do que qualquer outro na história humana.
Esse paradoxo não é acidental, ele é sintoma de algo mais profundo, que este livro se propõe a investigar sem pressa e sem simplificações fáceis. Não existe aqui a promessa de uma fórmula rápida contra a solidão, porque soluções rápidas para sofrimentos profundos raramente funcionam, e quando funcionam, costumam apenas adiar o problema.
A tese central desta obra é simples de enunciar e, ao mesmo tempo, exigente de sustentar na prática: a solidão não é apenas um sentimento a ser evitado, é um sintoma de ruptura entre a pessoa e seu próprio Self, e a verdadeira transformação não consiste em eliminar completamente essa experiência humana universal.
| Seitenanzahl | 132 |
| Ausgabe | 1 (2026) |
| Format | A5 (148x210) |
| Einband | Taschenbuch mit Klappen |
| Farbe | Schwarz-Weiß |
| Papiertyp | Ahuesado 80g |
| Sprache | Portugiesisch |
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