EU DOU A MINHA PALAVRA* transmite a um seleto universo de leitores brasileiros as ideias por mim concebidas entre os anos de 2000 e 2018. O trabalho, em sua maior parte, foi produzido em forma de frases e máximas contextualizando a minha visão satírica, poética, religiosa e argumentativa de uma época.
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VENTO
Sopro sem origem, sem resposta, sem pé nem cabeça. Assopro de guardas-noturnos, de aniversariantes ao se cantar parabéns.
Toca novidades aos ouvidos na escuta mórbida e circunlóquios interessantes aos surdos de nascença.
Tocador de violino sem cordas, consola em boa hora os fracos e traz agruras nos sons de bitolas aos que fomentam desafinações.
Arrasta folhas exoneradas pela natureza e papéis de latifúndio em desapropriação.
Arrasto de bens móveis e imóveis por determinação suprema.
Leva quase tudo o que se via antes e o irrisório a se ver com o amanhã.
Eleva insignificâncias até o topo, e reduz ao máximo a imponência das montanhas.
Migra aonde haja trégua, aonde persista a coragem e confrarias de aliança.
Emigrante andarilho dos ares, abre alas entre escudos de aço e atravessa gargantas sem que lhe solicitem pedágio em suas andanças.
Venta porque ninguém é forte que o contenha, o suficientemente labioso que o faça calar-se.
Inventa caminhos pela frente, uma vez que a vida é trabalho, é espinho, e enquanto isso, ele - o
vento livre, de penetra pelo mundo, sem documento é só vadiagem
| Number of Pages | 100 |
| Edition | 1 (2026) |
| Language | Portuguese |
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